Este texto não tem como intenção defender o filme Blade Runner 2049, simplesmente este é o exemplo mais recente, e talvez mais crasso, da incompetência dos parágrafos aleatórios que o Público tem passado por “crítica de cinema”. Estamos a falar de erros ortográficos e gramaticais, da repetição de parágrafos quase na íntegra e na impossibilidade do autor escrever uma única frase completa que cumpra o seu propósito de criticar o filme em questão.

 

Blade Runner 2049: ainda mais dependente do look

 

Luís Miguel Oliveira começa por nos apresentar um título sarcasticamente (espero) usando expressões de adolescente para minimizar não só o filme sobre o qual vai escrever mas também o Blade Runner original, tornando imediatamente todo o corpo da sua crítica completamente inútil e desnecessário.

A chapada retroactiva ao filme original de Ridley Scott que o “ainda mais” subentende não só é infantil como despropositada. Já o uso da expressão “look” por uma pessoa com mais de 15 anos, mesmo que sarcasticamente, descredibiliza  automaticamente os patéticos 4 parágrafos que se seguem.

 

Blade Runner 2049 é a re-ilustração do original,

 

Podemos agora verificar que o autor nem sabe que está assistir a uma sequela e pensa que é uma “re-ilustração do original”, uma readaptação do que já foi feito. Talvez a intenção até seja afirmar de forma indirecta que este novo Blade Runner é apenas uma reciclagem do de 1982. Infelizmente essa interpretação é refutada várias vezes no decorrer dos próximos parágrafos.

 

ainda mais dependente do look

 

Se chegámos aqui é porque lemos o título, mas obrigado pela reafirmação de algo que ninguém lhe pediu em primeiro lugar: uma análise simplória do Blade Runner original forçadamente enfiada na crítica do novo filme. Já agora podia criticar também o Alien e escusávamos de ler qualquer outro artigo de opinião sobre a carreira de Ridley Scott. Ah, esperem, estamos quase lá.

 

mas com uso menos imaginativo do cenário (e com muito menos noir),

 

Para aqueles que não se lembram ou não sabem, como é o caso do nosso crítico de serviço, “noir” é uma palavra que poderá descrever um género cinematográfico popularizado nos anos 50, caracterizado pelas atitudes cínicas e motivações sexuais das personagens participantes num enredo dramático sobre criminosos e os seus crimes. Tendo em conta que nenhum dos filmes Blade Runner actuam sobre tais temáticas, vamos deduzir que Luís está a usar o termo de maneira selectiva apenas referente ao estilo visual deste movimento. Ou noutras palavras: o “look” destes filmes.

Portanto depois de dissecar sistematica e exaustivamente uma única frase para perceber o seu significado, que é o que se quer numa crítica – subjectividade – podemos finalmente perceber que está a ser afirmado que 2049 tem “muito menos” elementos estéticos noir que o Blade Runner original, o que é objectivamente falso. Ambos têm uma estética coerente, independentemente de boa ou má.

 

e os “temas” colocados como campaínhas que tocam periodicamente,

 

Vamos começar por apontar o óbvio: a frase acaba numa vírgula, e campainhas não leva acento agudo. Bom trabalho, Luís e revisor de Luís. Sugestão: activar o dicionário do Word.

Relativamente a “campaínhas” e metáforas idiotas podemos deduzir que o que está a tentar ser dito nesta secção da frase é que as temáticas do filme são esquecidas durante a duração do mesmo, mas periodicamente são mencionadas para lembrar a audiência do que se trata o filme, o que é simplesmente falso. Se existe uma crítica em termos narrativos que pode ser feita (e foi, de facto, feita inúmeras vezes) a ambos os filmes é que se prendem demasiado às suas temáticas e raramente expandem para além da linha condutora básica de ambas as narrativas. Um mal necessário, provavelmente, para facilitar a apreciação da sua estética visual.

 

Perdido Philip K. Dick de vista

 

Espera. “Perdido, Philip K. Dick, de vista” ou “Perdendo Philip K. Dick de vista” ou “Perdido Philip K. Dick, de vista”? Estou profundamente confuso, mas vamos assumir que o significado é que a obra original de Philip K. Dick foi perdida de vista, o que é completamente certo se nos referirmos ao filme original, que por si só alterou completamente o material de origem. Mencionar a divergência de 2049 do livro no qual foi baseado o filme original de 1982 é tão útil como Stephen King insistir que o “The Shining 2 – A Revolta do Triciclo” ainda continua a não ter nada a ver com o seu livro, ou seja, inútil.

 

(e simbolicamente esquecido nas ridículas cenas com a personagem de Jared Leto, criatura vinda do universo infantil dos super-heróis que não tem qualquer correspondência no filme de 1982),

 

“Simbolicamente esquecido” é possivelmente a expressão mais impenetrável e abstracta que já li num artigo de opinião que, mais uma vez, é obviamente o que se quer numa crítica. Philip K. Dick foi simbolicamente esquecido – a pessoa, o autor, Dick, foi esquecido de uma forma simbólica, não literal, apenas alegórica. Dick foi esquecido de modo indirecto, e esse esquecimento foi representado por outro elemento. Se ao menos linguagem como “look”  fosse usada no decorrer do artigo inteiro talvez conseguíssemos perceber qual o significado das palavras deste mestre.

É habitual usar-se o nome duma personagem quando nos referimos à mesma numa crítica, como maneira de não inferiorizar a narrativa do filme, mas O Crítico (Luís Miguel Oliveira) decide que basta mencionar o actor, porque consultar o IMDB e fazer as coisas decentemente não é algo que um filme de 1 estrela mereça. E a alegação sobre Jared Leto estar unicamente associado ao universo dos super-heróis é por si só desinformada e tão válida como “eu não gosto da cara dele”.

Continuamos então a demanda por tornar este artigo numa crítica de tudo o que já foi feito à face da terra expandindo agora para o “universo infantil dos super-heróis”. Haja paciência. E relativamente à afirmação “não tem qualquer correspondência no filme de 1982” devemos lembrar-nos que a personagem é uma analogia directa do Dr. Eldon Tyrell (Joe Turkel), fundador da Tyrell Corporation que foi comprada por Niander Wallace (Jared Leto, infantil, super-herói), e como tal preenche exactamente o mesmo papel narrativo. Mas para obter tal informação Luís teria que ter lido 5 ou 6 frases que aparecem no ecrã no início do filme, ou até talvez – que loucura – rever o filme original antes de escrever sobre a sequela, mas não esperamos tal coisa de alguém que ganha a vida como crítico de cinema.

 

alma mater do primeiro “Blade Runner”,

 

Philip K. Dick é “alma mater” do primeiro Blade Runner. Portanto, Philip K. Dick é a pátria, universidade ou instituição formadora do primeiro Blade Runner. Ou é a Ridley Scott que se refere? Irrelevante, visto que é igualmente desprovido de sentido.

As aspas no nome do filme servem que função? Esta nem eu consigo perceber. Ok, “Luís”, vamos “prosseguir” com esta “crítica”.

 

restam as ideias de Ridley Scott (como produtor) e uma operação profundamente cínica de “gestão patrimonial”, criando um franchise com 35 anos de atraso (o que deve ser um record), aliás de forma análoga ao que nos últimos anos se pôs a fazer com o Alien (o seu outro hit como realizador).

 

Primeiro que tudo “se pôs a fazer” não é forma de se escrever, muito menos relativamente a um homem, “Ridley Scott (como produtor)”, que criou mais em 5 anos da sua vida que eu e o Luís juntos, portanto um pouco de respeito não lhe ficava mal. Aliás, o respeito por qualquer pessoa que se tenha dado ao trabalho de criar cultura deve ser sempre conservado numa crítica, seja Fellini, Stan Lee ou  Wiseau. Portanto não te ponhas a escrever estas coisas, Luís.

Em segundo lugar, a palavra recorde leva “e” no final. Ou estava a tentar estrangeirar a coisa, Luís? Se for o caso podia ter inclinado a palavra como fez correctamente com outros estrangeirismos. Agradecemos.

Quanto à criação dum franchise que aparentemente Ridley Scott é isoladamente culpado de se “pôr a fazer” e este ser análogo a Alien, conseguimos verificar que Luís nem fez a mínima pesquisa sobre aquilo para que é pago para escrever. Existem 6 filmes de Alien, e nenhum deles teve um intervalo de 35 anos entre si, portanto não faço a mínima ideia a que se refere este crítico profissional.

A alegação de que Blade Runner e Alien são os únicos hits de Ridley Scott também é ridiculamente infundada. Independentemente do gosto de pessoal de Luís, ou mesmo do meu, o realizador e produtor já esteve envolvido em muitos projectos com sucesso crítico e económico, como: Gladiador; Hannibal; Cercados; Amigos do Alheio; Gangster Americano; Perdido em Marte; etc.

Põe-te a fazer pesquisa, Luís. É o teu trabalho, afinal de contas.

 

É claro que mesmo um empreendimento tão oportunista como este precisa de suscitar algum romantismo, fazer crer que a convocatória do nome e do universo de Blade Runner abre num passe de magia a porta para a “reflexão” e para a “especulação filosófica”,

 

Erros de escrita básicos primeiro, já sabem como isto funciona, não é? A convocatória do nome e do universo não “abre” nada, quanto mais “abrem” algo.

Esta secção do artigo comenta, genialmente, que não basta esta sequela de Blade Runner usar oportunamente o nome do franchise para atrair público, mas também usar o nome do franchise para atrair público. Não, não leu mal. E ainda insinua que a parte favorita de toda a gente do filme de 1982 são os longos monólogos filosóficos, não a estética futurista e as sequências de acção.

 

e que 2049 é mais do que a adulteração aguada e pouco imaginativa das ideias do filme original, uma espécie de cover ligeirinha antes de ser um remake ou uma sequela,

 

Esta secção é possivelmente a minha preferida, não porque seja particularmente mal escrita, mas porque o autor está a dizer que 2049 é basicamente uma versão bossa nova do filme original. E isso, tenho que confessar, é genial! Mas, analisando objectivamente, que temáticas é que o Blade Runner original aprofunda mais que 2049? Nenhumas. Pelo contrário, o de 1982 tem uma narrativa simples, fácil de seguir e optimizada para que não interferisse muito com a capacidade de o público perceber e absorver o universo em que se inseria. 2049 lida com imaculada concepção – e consequentemente com as temáticas de fé e as complexidades da mesma – também com o existencialismo de se ser apenas a ponte para algo maior e não o destino dessa jornada, além da meta narrativa sobre a volatilidade da informação digital face a um ataque nuclear.  Mas aparentemente Luís pensa que estas são questões simples e “aguadas”, portanto aproveito para sugerir enviarmos o dito cujo para a Faixa de Gaza numa tentativa de explicar a simplicidade da fé e das temáticas circundantes às facções combatentes.

 

com uns pozinhos roubados aqui e ali ao melhor estilo pica-pau:

 

Não faço a mínima ideia do que será o “estilo pica-pau”, mas deduzo que seja uma nova posição sexual que Luís inventou. Possivelmente é um regionalismo que algumas pessoas conhecem, mas sabem como é, mais uma vez, o que se quer numa crítica é sem dúvida torna-la o mais inacessível possível ao público em geral.

 

ao A.I. de Kubrick e Spielberg (mas com o Pinóquio tão perdido de vista como Dick),

 

Ainda há pouco o nosso autor fez questão de esclarecer que Ridley Scott é apenas o produtor de 2049, não o realizador, no entanto agora o A.I. é igualmente de Spielberg e Kubrick, apesar de ter sido lançado 3 anos depois da morte de Kubrick e apenas baseado em notas soltas do mesmo.

É absolutamente genial que exista alguém com o título legitimo de crítico de cinema que escreva que Blade Runner 2049 rouba ideias do filme A.I. É quase um milagre, sinceramente, considerando que os pontos de comparação são tão genéricos e recorrentes: seres sintéticos com crises de identidade. Seria mais pertinente tentar encontrar a raíz narrativa destas temáticas no cinema e fazer uma comparação, por exemplo, ao Homem de Lata do Feiticeiro de Oz, que abarca as mesmas questões e é uma obra incontornável. Mas o nosso autor prefere referir um filme de 2001, que foi por sua vez enormemente influenciado pelo Blade Runner original, como exemplo dum “roubo” feito pela sequela do filme que o influenciou em primeiro lugar.

 

ao Ghost in the Shell,

 

Mais uma vez, o Ghost in the Shell foi lançado em 2016 e enormemente influenciado pelo Blade Runner de 1982, portanto referir que 2049 tem influências desse filme é, na melhor das hipóteses, um caso de “ladrão que rouba ladrão”. Este argumento continua a ser absolutamente absurdo, e é péssimo jornalismo mencionar um filme que foi influenciado por outro como tendo sido roubado pela sequela do original. E acima de tudo é preguiçoso.

 

ao Her de Spike Jonze,

 

Já esta comparação é algo pertinente, infelizmente está enterrada no meio de tralha sem sentido ou perspectiva, portanto ninguém vai parar aqui para tentar  perceber qual é o fundamento por trás do argumento. Mas é verdade, existe uma parcela narrativa de 2049 que aparenta beber do mesmo material de origem que o Her: a pesquisa do professor Joseph Weizenbaum usando o seu programa Eliza. Mas continua a ser absurdamente simplista e simplório dizer que 2049 “roubou” Spike Jonze.

 

a que acresce o truque básico com que qualquer sequela despropositada se auto-justifica, a magna questão de se saber quem é filho de quem e quem é pai de quem.

 

Esta afirmação ilustra perfeitamente a atitude com que este crítico viu e analisou o filme, e a razão pela qual tal atitude é profundamente negativa para o público que de facto veio ler este artigo à procura de algo que se assemelhe a  uma crítica. O filme, 2049, usa este ponto narrativo recorrente em várias outras sequelas, sim. A diferença é que toda a narrativa do filme culmina numa subversão deste “truque básico”, tornando-o numa crítica do próprio “truque” e efectivamente afectando emocionalmente o público que não está cinicamente de testa na mão à espera que o filme acabe para ir para casa escrever 4 parágrafos para receber o cheque da semana e depois ir para a caminha.

Dizer que 2049 usa este elemento narrativo, ou “truque” se preferirem falar como se estivéssemos no café a jogar setas, é como dizer que o Vertigo de Hitchcock faz aquele truque duma personagem fingir que está morta mas na verdade não está. É rudimentar e acima de tudo mostra uma falta de compreensão e/ou interesse que é injustificável para um profissional.

 

Nada melhor, para esse romantismo, do que um cineasta de “covers” como Denis Villeneuve, célebre por filmes péssimos (como O Homem Duplicado) e por filmes assim assim (como Arrival),

 

Continuamos claramente a extrapolar as metáforas idiotas a um ponto absurdo, e a ignorar completa e absolutamente o único objectivo deste artigo: fazer uma crítica ao Blade Runner 2049. O uso da expressão “assim assim” é idiótico, meu deus, tão tão idiótico. Quase tão infantil e idiótico como enfiar forçadamente críticas doutros filmes dentro desta.

Os filmes de Villeneuve são também vistos universalmente pela crítica como bons, não “péssimos” e “assim assim”. Mas o nosso autor está no seu direito de discordar do mundo, apenas podia mencionar que a sua opinião é extremamente divergente.

A ideia que Denis Villeneuve é um cineasta que apenas trabalha sobre o trabalho previamente feito por outros autores, ou “um cineasta de “covers””, é por si só também errada: August 32nd on Earth é um trabalho original do realizador;  Maelstrom também foi escrito por Villeneuve; Prisioners foi escrito por Aaron Guzikowski para o cinema sem ser baseado em nenhuma outra obra prévia;  Polytechnique foi escrito por Villeneuve e  Jacques Davidts também sem base noutra obra; Sicario por Taylor Sheridan também sem base numa obra prévia. Ou seja, Luís escolheu mencionar apenas os 2 filmes onde o seu argumento quase se encaixava. Excelente jornalismo.

 

cujo maior e equívoco mérito tem sido trazer para o mainstream hollywoodiano uma pose de solenidade “nórdica” (é ver a cabeça tombada de Ryan Gosling na primeira cena, como se carregasse o peso do mundo),

 

“Hollywoodiano” não é uma palavra, e “mainstream” é uma palavra que adolescentes usam para descrever algo popular.

K (Ryan Gosling) tem a cabeça tombada, e então? Existe algo de errado na cena descrita ou estamos aqui só para ficar a saber que o autor percebe muito de poses “nórdicas”? O que quer que isso seja. Completa e absolutamente irrelevante. Incrível. Já agora aproveito também para mencionar que dou aulas de guitarra na zona das Amoreiras às segundas e quartas.

 

mesmo a pedir para que se veja que ele viu, por exemplo, o seu Tarkovski (porque hoje, sobretudo na crítica anglo-saxónica e internética, das duas uma: ou é Tarkovski ou é Kubrick, eles são a medida de todas as coisas).

 

Agora, a jóia da coroa: Luís desiste definitivamente de criticar o filme em questão e começa a atacar colegas anglo-saxónicos e “internéticos”. É quase triste a forma como Luís não sabe observar a evolução do seu próprio meio como uma oportunidade para novas vozes (competentes, de preferência) serem ouvidas e decide então virar-se para uma ilustração prática do que chamou ser o “romantismo” de Blade Runner e questionar a sua própria existência. Ainda utiliza como exemplo destes atalhos baratos para a manifestação de uma opinião complexa um nome que ele próprio já usou: Kubrick.

É patética, e quase triste, a maneira como o autor destes míseros parágrafos conseguiu desviar-se do seu único objectivo a todas as oportunidades, transformando um artigo de opinião num antro infantil de acusações a pessoas muito mais talentosas que o próprio Luís, que nem consegue cumprir o mínimo requerido para se poder chamar a esta colecção de parágrafos uma crítica.

Ao menos 2049 é irrefutavelmente um filme, não apenas uma agregação de vídeos soltos e sem linha condutora a chorar não se ser maior e melhor.

 

Blade Runner 2049 é a re-ilustração do original nesta pose,

 

Outra vez isto? São quatro parágrafos, Luís!  Quatro míseros parágrafos! No 3º ano já as crianças fazem ditados com mais conteúdo que isto.

 

ainda mais dependente do look mas com uso menos imaginativo do cenário (e com muito menos noir),

 

Claro, outra vez isto do “look” e do “noir”. Alguém claramente ganha à palavra.

 

e os “temas” colocados como campaínhas que tocam periodicamente (“o virtual”, “a cidade”, “a memória”) para se calarem logo a seguir.

 

Pois claro, as campainhas com acento agudo de novo, boa. Alguém copiou e colou com erros ortográficos incluídos e tudo.

 

Há uma boa ideia que podia ser o núcleo — até “teórico” — do filme: aquela cena com um holograma de Elvis que é como uma espécie de “força do passado” a resistir ao apagão.

 

Agora chegámos finalmente ao apogeu do mau crítico amador: sugerir como é que é que ele ou ela mudariam a peça que estão a criticar. Pois, já se fosse eu a escrever esta colecção de parágrafos, Luís, tinha apagado tudo e começado de novo, e se isso não funcionasse se calhar dedicava-me a ser músico amador (porque só um músico amador forçaria tantas referências a “covers” num artigo sobre cinema). 

Esta secção também demonstra como absolutamente nada da narrativa foi absorvido pelo autor. O apagão já tinha acontecido há 10 anos assim que o filme começa, como é que o holograma ainda funcional do Elvis iria resistir a algo que já se passou e não o afectou? Esta coisa da “força do passado” é muito gira, acho que deveria ser colocado no seu diário, mas concluir uma crítica seja do que for com “Se fosse eu tinha feito uma coisa completamente diferente, aqui estão as minhas ideias” tem tanto de ridículo como de patético.

 

Mas isso seria outro filme, este está mais do lado do apagão.

 

Exacto, e não é esse filme que está a analisar. E o que raio quer dizer “do lado do apagão”? Ninguém estava do lado do apagão, Luís! Vimos o mesmo filme? Porra, é de perder a calma.

Incrível como foi impossível extrair uma única gota de informação útil deste texto revoltado que mais parece ter sido escrito pela criança que um dia se tornaria Holden Caulfield. Luís gosta de cultivar a imagem que é demasiado inteligente para os filmes que critica e até para nós, o pobre pequenino publico “mainstream”, mas a verdade é que Luís é profundamente incompetente no seu trabalho e mais que isso – não é inteligente o suficiente para perceber grande parte dos filmes que comenta – e como tal não devia tentar fazê-lo publicamente.

 

A crítica original de Luís Miguel Oliveira pode ser lida em: https://www.publico.pt/2017/10/13/culturaipsilon/critica/blade-runner-2049-1788486.

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